Uniforme do exército poderá gerar e armazenar energia

Máquina cria fibras que poderão, no futuro, gerar e armazenar energia em roupas.
Novidade daria mais dinamismo ao exército, evitando a necessidade de baterias portáteis.

Uma nova máquina que cria fibras estruturadas em escala microscópica pode ser a chave para a criação de uniformes militares que realizem funções como gerar e armazenar energia. As fibras podem ser feitas de até três materiais diferentes e são arrumadas em padrões microscópicos regulares.

O equipamento, criado pela empresa Hills, da Flórida, nos EUA, é um dos dois únicos existentes no mundo capazes de produzir tais fibras, afirma Stephen Fossey, pesquisador do Centro Natick de Pesquisa de Desenvolvimento e Engenharia do Exército dos EUA.

A máquina deve chegar ao Centro no próximo ano, onde será a peça-chave de um programa destinado a criar uniformes com múltiplas funções. O equipamento poderia ser uma boa alternativa para as atuais baterias, das quais os soldados são cada vez mais dependentes para a utilização de aparelhos eletrônicos como binóculos de visão noturna, rádios e computadores em rede.

Entre os muitos potenciais de uso do equipamento está montar fibras que atuem como baterias recarregáveis. Angela Belcher, professora de engenharia biológica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), diz que algumas das estruturas de amostra que o equipamento criou poderiam ser úteis para combinar eletrodos positivos e negativos de baterias e eletrólitos em pavios individuais. Esses poderiam ser inseridos no tecido dos uniformes e unidos com aqueles que atuam como células de combustível.

Atualmente, um típico pelotão do exército requer cerca de 900 baterias de até sete tipos diferentes para uma missão de cinco dias, afirma Charlene Mell, que faz parte da equipe cientifica do centro do exército envolvido na pesquisa. Além de serem incômodas de carregar e utilizar, as baterias não duram muito tempo, o que pode levar os soldados a ter que trocá-las no meio da batalha.
Por isso, são necessárias formas de armazenar energia em um espaço menor, para aliviá-los dessa logística de carregar e substituir as baterias, deixando-os livres para fazerem seus trabalhos.

A máquina é uma variante de uma tecnologia de produção comum utilizada para extrair polímeros. Sua habilidade de combinar três diferentes materiais em formas intrincadas, entretanto, depende de controles separados da temperatura de cada material, sendo que a limite é de 350º.

O equipamento pode processar outros materiais além de polímeros, o que deve ser a chave para criar os tecidos funcionais. Metais com ponto de derretimento baixo poderiam ser utilizados para fazer as fibras condutoras, por exemplo. Por enquanto, o que falta não são capacidades para a máquina, mas pesquisadores suficientes com idéias para utilizá-las.

Fonte: G1